Ofício de alfaiate sobrevive mesmo em tempos de moda fast fashion

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05/09/2019 01h46
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Na próxima sexta-feira (06/09), quando comemoramos o Dia do Alfaiate, vale lembrar que esta profissão que quase chegou a ser extinta persiste ainda hoje e está presente, indiretamente, na indústria da moda, trazendo mais qualidade e arte para peças produzidas em larga escala.

 

Atualmente, são poucos os profissionais que têm seus ateliês produzindo peças exclusivas, mas as técnicas de alta costura da alfaiataria estão cada vez mais incorporadas à moda moderna. O supervisor de modelagem do Grupo Jean Darrot, Geraldo Gomes Ribeiro, 49 anos,  é um desses profissionais que se adequaram, migrando do ateliê para a indústria. Ele conta que aprendeu o ofício de alfaiate aos 13 anos, com o tio. “Comecei como assistente dele. Trabalhei com ele até os meus 18 anos. Aprendi a fazer ternos, camisas e calças sociais. Depois, já profissionalizado, atuei sozinho, sempre buscando o melhor alinhamento e qualidade”, lembra Geraldo. 

 

O supervisor de modelagem da Jean Darrot, como vários outros profissionais, levou o conhecimento e a arte da alfaiataria para o que se chama hoje de fast fashion, que é a renovação quase que semanal das coleções, levando ao consumidor as últimas tendências da moda em tempo recorde. “Muito desse trabalho da alfaiataria tem sido resgatado pela indústria, com o intuito de trazer  uma vestibilidade melhor para as peças, um acabamento também melhor e assim fazer um produto com muito mais qualidade e originalidade”, destaca Geraldo, que atua há 30 anos no segmento de moda e confecção.
 

De acordo com a diretora de criação estilo da Jean Darrot, Lorena Darrot,  dentro do processo de produção da moda em larga escala, o profissional que domina o ofício de alfaiate é contratado com a intenção de  imprimir mais qualidade aos produtos, principalmente no que diz respeito ao acabamento e ao caimento das roupas. “As criações são feitas pelos estilistas, mas são os alfaiates os responsáveis pelo melhor acabamento e alinhamento, para que possamos ter peças de alta moda - que são peças desenvolvidas com melhor qualidade, caimento e detalhes quase que exclusivos”, afirma.

 

A professora e designer de moda Nélia Finotti explica que a alfaiataria influencia muito a moda contemporânea. “Quando você hoje compra uma peça de alfaiataria não quer dizer que ela tenha sido desenvolvida por um alfaiate, mas é uma roupa inspirada nos parâmetros de corte, modelagem e tecidos usados pelos alfaiates. E hoje esse modelo de produção fast fashion incorporou algumas técnicas da alfaiataria para um melhor acabamento e qualidade das peças”, explica Nélia.  

 

Trabalho minucioso

Segundo a professora de moda, o tradicional trabalho de alfaiate continua existindo, mas numa escala bem menor. Nélia Finotti explica que o processo de produção do alfaiate é bem mais minucioso, demorado e 100% artesanal. “Esses detalhes fazem com que os prazos de entrega sejam maiores e o custos também. E este é um dos motivos que faz com que apenas quem busca alta costura procure pelos serviços desse profissional nos dias de hoje”, explica a especialista. “Um terno, por exemplo, confeccionado por um alfaiate custa, em média, R$ 2.000,00, enquanto em lojas de varejo eles podem ser adquiridos a partir de R$ 300,00”, exemplifica Nélia Finotti.

 

A professora e design de moda esclarece uma confusão, que segundo ela, existe entre o trabalho de alfaiate e o de costureiro. Conforme explica Nélia, os alfaiates são  os responsáveis pela definição da modelagem, pela escolha do tipo de tecido, adereços, do corte e da costura a serem usados em determinado modelo a ser confeccionado. “O alfaiate possui um nível maior de conhecimento. Ele é apto a atuar em todas as etapas da confecção de uma peça. É ele quem recebe uma ideia já criada e que está num papel ou numa imagem de revista, desenha o molde, faz o corte e costura toda a peça”, afirma.

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