I love to hate you

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12/06/2021 15h02
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No início da década de 1990, a Erasure, dupla britânica de technopop, lançou a música I Love to hate you (“Eu amo odiar você”, numa tradução mais literal, ou “Adoro odiar você”, tradução mais livre).

Claro que a música é só uma simples referência, já que sua letra fala, basicamente, de como amor e ódio costumam causar o mesmo arrepia em quem os sente.

A nostalgia musical foi apenas para introduzir nosso tema da vez: haters.

É isso mesmo. O hater; o famoso odiador; aquela pessoa que vive na internet, seja nos fóruns ou redes sociais, sempre pronto para soltar comentários maldosos, preconceituosos, xenofóbicos, homofóbicos, racistas, e por aí vai.

Pausa para um achismo: tenho cá pra mim que isso é uma doença, e que é transmissível virtualmente, porque a quantidade de haters atuantes parece aumentar a cada dia.

Outro achismo: a internet e a possibilidade de dizer o que quiser contra quem quiser têm efeito negativo em algumas pessoas, que perdem completamente a noção das coisas e se transformam em haters.

Também considero a possibilidade de essas pessoas sempre terem sido assim, espírito de porco, e que a internet apenas lhes deu voz, como deu a todos nós.

Quem está na internet, seja em sites, fóruns, páginas de negócios, redes sociais ou qualquer outro ambiente, está sujeito a ataque de haters.

Mas, se perceber que você próprio está ficando crítico demais em relação às ações e postura dos outros e sentindo uma incontrolável necessidade de compartilhar com o mundo as coisas negativas que você pensa, cuidado. Você pode estar se transformando num hater.

Sai fora enquanto é tempo. Você não precisa dar sua opinião sobre tudo.

Sabe aquela máxima que diz que a gente deve ficar calado quando não tem nada agradável para dizer?

Pois a mesma se aplica à internet também. Fuja de polêmicas, de discussões inócuas. Não alimente quem está nos espaços virtuais apenas para causar discórdia e propagar ódio.

Mas, quem são esses famigerados haters?

Os haters são diferentes quanto às suas motivações, mesmo que o modus operandi seja o mesmo.  

E é bom também esclarecer que nem toda críticas ou comentário negativo feito nas redes sociais ou nos fóruns é obra de haters.

Muitos são apenas críticas e comentários de pessoas expondo o que realmente pensam.

Celebridades, que são os principais alvos dos haters, muitas vezes colocam no mesmo pacote os seguidores que fazem críticas ou que manifestam uma opinião negativa em determinada postagem e os que partem para ofensa gratuita.

Tanto pessoas, quanto empresas podem se beneficiar de comentários críticos. Até porque, sendo CPF ou CNPJ, quem se expõe no mundo virtual, precisa saber lidar com críticas e comentários negativos.

Um exemplo entre comentário crítico e ação de hater:

Quem nunca viu uma celebridade de internet submeter para aprovação de seus seguidores um novo corte de cabelo, uma maquiagem, uma produção? Daí, postam imagens e perguntam: “E aí, o que acharam?”

Claro que quem se expõe assim não pode esperar que todos os comentários e respostas sejam 100% favoráveis.

Naturalmente, a maioria vai responder quase no automático: “Linda”, mesmo que no fundo não tenha gostado.

Mas, alguém vai acabar sendo sincero e dizer aquilo que o dono da pergunta não se quer ouvir.

Se o comentário é algo do tipo “não gostei, preferia como estava” ou “não valorizou seu rosto” ou coisa do gênero, não é haters. É apenas opinião contrária.

Tenha em mente que hater é odiador e não alguém que pode, no máximo, ser classificado como inconveniente.

Haters fazem comentários mais jocosos, usam palavra de baixo calão, comparações grosseiras e afins e comentam sempre muito além do que está proposto na postagem. É bem fácil perceber a diferença.

Mas, por que o hater age assim?

 

Vai saber. Pode ser falta de muita coisa (noção, por exemplo) e sobra de outras tantas (tempo, inclusive).

Mas, vamos considerar que ser famoso sempre foi o sonho de muita gente. E a internet é o meio mais rápido de conseguir se destacar – apesar de exigir trabalho, investimento e dedicação.

Alguns haters também querem ser famosos e se contentam em virar o assunto da vez na internet por meio de seus ataques.

Imagina atacar de maneira racista uma criança? Rapidamente, milhares de comentários vão surgir, o hater será muito falado, referenciado e até apoiado por algumas almas sebosas semelhantes.

Os haters se reconhecem, se seguem mutuamente nas redes, um dá apoio às postagens dos outros.

Eles se confraternizam e lançam desafios uns para os outros. Eles têm até clubinhos virtuais para ficarem se gabando de seus feitos.

O interessante é que os haters dos bons, aqueles desprezíveis mesmo, sem nenhuma noção de moral ou bom senso, são também absolutamente covardes, e se escondem atrás de vários perfis fakes ou até mesmo hakeados (perfil real, mas sem atividade, que são invadidos e usados pelos haters).

Claro que tem um monte de ser humano de segundo escalão que tem orgulho de ser hater. Claro que ser anônimo é mais vantajoso, para tentar fugir de investigações policiais e processos criminais. 

 

Não precisa ser nenhum grande analista de marketing digital para tentar imaginar que tipo de pessoa passa o dia fuçando na internet, olhando a vida e o trabalho dos outros, sempre pronto para desvalorizar e ofender por meio de comentários cheios de inveja e rancor.

Impressiona também o fato de que os haters quase nunca conhecem ou têm relação com o objeto de seu ódio.

Eles resolvem infernizar a vida de alguém – acho que inveja é a maior motivação para a escolha da vítima – e transformam isso em projeto de vida.

Tem criatura mais vazia e fútil do que essas? E o pior, se contenta em ser alvo de pseuda-atenção, já que na maioria das vezes sequer usa nome ou perfil verdadeiro para agir.

A cantora Anita está certa: esse pessoal realmente é digno de oração – e de processo também.

Quando as ações dos haters partem para ofensas contra pessoas por causa de suas origens (xenofobia), cor (racismo), gênero ou orientação sexual (homofobia), então não tem conversa, nem oração para Jesus salvar suas almas. Isso é crime mesmo e pode ser enquadrado ainda como cyberbullying  ou assédio.

Estão enganados os fulaninhos que ainda acham que Internet é terra de ninguém e que por aqui tudo é permitido.

Outra maneira de cortar o efeito os haters, é usando a frase que já virou modinha há alguns anos: haters gonna hate.

Essa é uma expressão em inglês que significa “odiadores irão odiar”, mas também pode ser interpretada como “invejosos irão odiar”.

A ideia por trás da frase é simples, mas eficiente: quem não gosta de você, vai estar sempre pronto para criticar ou menosprezar, independente do que você faça. Por isso, a frase é usada como resposta para invalidar a ação do odiador ou invejoso.

Tipo assim: posta sua foto com a legenda que escolheu e em seguida poste também haters gonna hate ou a versão em português.

Também é bom não confundir hater com troll (aquele que faz trolagem). Esse último faz pegadinhas, brincadeiras e provocações com qualquer pessoa. Podem até ser desagradáveis, mas não chegam a ser ofensivos.

Além disso, o troll não tem nenhuma intenção em ficar famoso. Ele quer apenas se divertir, por isso qualquer um pode ser alvo de suas brincadeiras.

Já os haters costumam ter como alvo celebridades e figuras públicas, porque sua intenção principal não é ofender (isso é o meio). Sua finalidade mesmo é conseguir ser famoso, por isso seus ataques sempre são contra famosos.

Também temos intensidades de haters diferentes. Além da versão mais comum (que faz comentários grosseiros, agressivos e com um toque de preconceito), existem também a versão mais moderada e outra ainda mais agressiva.

A mais leve são os chamados canceladores.

Pausa para uma elucubração: para quem um mínimo de noção, tem coisa mais ridícula do que alguém que se achar credenciado o suficiente para julgar os outros conforme sua própria bússola moral e determinar seu “cancelamento” no mundo virtual?

Os canceladores são como aquelas vizinhas fofoqueiras de antigamente, que viviam nas janelas observando a vida alheia e faziam com que as pessoas que não eram aprovadas em seus filtros morais ficassem mal faladas.

Eles são os guardiões de tudo que é certo, de tudo que é aceitável. E estão a postos para punir com severas críticas e o temido cancelamento qualquer um que lhes desagrade.  

Já o tipo mais pesado de hater, que infelizmente tem crescido muito, é aquele que acha que xingar e desmerecer as pessoas nos ambientes virtuais não é suficiente e levam a coisa para outro patamar: ameaçar (inclusive de morte) tanto a celebridade quanto a sua família.

Nesse caso, se trata de criminoso mesmo, que acaba causando ansiedade, angústia, depressão e outros prejuízos psicológicos e emocionais em suas vítimas.

De um jeito ou de outro, os haters sempre são negativos, por isso é preciso um posicionamento de suas vítimas.

Se os comentários feitos podem ser enquadrados como crime, não se furte em fazer denúncia. E se for apenas alguém desagradável, tentando provocar uma resposta de uma celebridade para satisfazer sua vaidade pessoal distorcida, ignorar é o melhor remédio.

De qualquer sorte, quando receber comentários negativos, não custa nada dar um avaliada. Vai que – mesmo dito de maneira errada, o comentário faz algum sentido e pode levar a alguma melhoria.

E no mais, vamos orar para que os canceladores e os haters se juntem na terapia de grupo, para ver se encontram um novo sentido para suas vidinhas sem graça e deixam o resto da humanidade em paz.

Por enquanto, é isso.

 

 

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